Cantora fala sobre racismo, baixa auto-estima e a depressão em que vivia
Desde cedo, Nívea Soares sentiu na pele o preconceito por sua raça. Discriminada pelas colegas de classe, ela se tornou uma criança triste e insegura.
Nívea:
"Eu sempre queria ser alguém além do que eu era. Nunca quis ser eu mesma. A depressão era uma companheira inseparável da minha vida.

Eu me lembro que cheguei na sala de aula, me assentei, e as outras crianças começaram a me zombar por causa do meu nome, por causa da minha cor de pele. Chamavam-me de Olívia Palito, puxavam meu cabelo. Foi horrível, foi tão triste. Entrei dentro do banheiro, fui tomar banho, e tentava por diversas vezes, não foi uma só vez... entrei dentro do banheiro e estava ali com a bucha esfregando a minha pele pra ver se saía a cor, pra ver se eu ficava branca. E eu perguntava até pra minha mãe: “Mãe, eu sou preta ou branca? O que é que eu sou?” Pra mim era muito importante isso, ser aceita".
Abatida, Nívea se isolava das pessoas. Sentia-se rejeitada e sem amor.
Nívea:
"Eu sempre queria ser diferente, sempre queria ser além do que eu era. Nunca quis ser eu mesma. Queria ser como as minhas amiguinhas que tinham o cabelo lisinho, que eram branquinhas, que tinham os olhos claros, que eram diferentes de mim. Queria ser como todo mundo, mas não queria ser quem eu era".

Com a auto-estima abalada e uma profunda tristeza no coração, Nívea começou a questionar seu valor como pessoa.
Nívea:
"A minha aceitação era tão ruim, com relação de mim pra mim mesma, que parece que as pessoas percebiam isso e eram abusivas. O fato de eu ouvir muito, coisas negativas a meu respeito, fez com que minha auto-estima fosse lá embaixo"
Mãe:

"Na sabedoria que a gente tinha na época, eu falava, incentivava eles a não ligar, a não se importar com isso. O que valia na pessoa era ela ser honesta, ser direita".
Mas, certa noite, uma experiência começou a mudar sua forma de pensar.
Nívea:
"Eu comecei a ouvir vozes. Era como se o diabo estivesse falando: “Vou matar você, vou destruir você. Vou levar você para o inferno. É pra lá que você vai” E, de repente, veio uma outra voz que trouxe uma paz, uma tranqüilidade. Era o próprio Senhor dizendo: “Você é minha filhinha, Eu te amo muito. Você é muito querida, você vai pro céu".
Ela, então, procurou se aproximar da igreja.
Nívea:
"Aos 11 anos eu tomei essa decisão na minha vida – convidar Jesus para entrar no meu coração. Me batizei na igreja batista e, dali pra frente, as coisas começaram a melhorar um pouco mais, mas ainda assim, eu tinha muita dificuldade de enxergar Deus como Pai. Será que Deus me ama? Será que Deus realmente me aceita como sou?".
Aos 16 anos, Nívea já fazia parte das atividades musicais de sua igreja, mas, ainda com a alma ferida, ela não conseguia sentir ou viver o que cantava.
Nívea:
"A música era como se fosse um esconderijo pra mim. Era onde eu me escondia, onde me sentia bem. Então eu dizia: se eu cantar, se aprender a cantar muito bem, a fazer muito bem essa coisa da música, as pessoas vão gostar de mim, vão me aceitar, vão me querer por perto. E eu usava a música como uma compensação. (ou como forma de compensação)".
Mas em 1998, Nívea foi convidada para cantar no primeiro CD do grupo de louvor Diante do Trono.
Nívea:
"Eu fui chamada pela Ana Paula Valadão, que é líder de um grupo que hoje se chama Diante do Trono, para gravar um CD que seria o CD da igreja. Pra mim foi um prêmio de Deus, foi como um refrigério de Deus na minha vida. Mas dentro do meu coração existia tanta dor, mas tanta dor...era algo que eu não conseguia colocar pra fora, era uma dor que eu vinha cultivando durante anos"

Um ano depois, ela participava de um acampamento com todo o grupo e teve uma nova e impactante experiência. A partir dali, tudo começou a mudar.
Nívea:
"Fomos nos retirar durante um tempo para ensaiar e para orar junto. E naquele tempo surgiu a Ezenete. Nós começamos a conversar e ela começou a dizer coisas a meu respeito que eu nunca tinha dito pra ela, coisas que ninguém sabia a meu respeito, só eu sabia no meu coração o modo como me sentia. E ela começou a falar “Você se sente pequena, diminuída, você se sente feia, mas não tem nada disso. Deus quer te arrancar desse buraco, Deus quer te tirar da depressão, dessa coisa horrível que te prende tanto”. E naquele dia, pela primeira vez na minha vida, eu consegui respirar um ar diferente. Era o ar da presença de Deus que invadiu o meu coração de forma tremenda!"
Ezenete:
"Quando Deus ali se manifestou, mostrando a ela o verdadeiro amor do Senhor, foram quebradas aquelas cadeias que a prendiam desde a sua infância. Ela saiu dali de uma forma que todo o grupo percebeu. Ela conheceu a verdadeira vida, a verdadeira alegria. Aquilo que ela cantava, aquilo que estava dentro dela, foi como um grito que veio pra fora. Ela começou a louvar a Deus. E hoje a Nívea é um instrumento de cura. Por onde a Nívea passa acontece cura, acontece restauração"
Hoje, aos 30 anos, Nívea é uma pessoa completamente transformada. Casou-se com o músico Gustavo Soares e vive uma vida feliz.

Gustavo:
"Nós já somos casados há 7 anos e tem sido maravilhosa a nossa convivência. Deus tem nos ensinado a viver cada dia mais felizes com Ele, no ministério, na nossa família"
Nívea:
"É um privilégio poder viajar juntos, poder estar juntos no ministério. Juntos viajando o Brasil e cantando essas canções que Deus tem feito surgir nos nossos corações para abençoar tanta gente"
E agora parece não haver limites para Nívea. Segura do seu valor, ela tem lançado trabalhos com o objetivo de ver também a sua geração transformada!
Nívea:
"Jesus veio pra resgatar o homem desse buraco, pra resgatar a sua história, pra mudar a história do ser humano. E Ele é esse Deus que pode fazer esta mudança. Não importa o que você tenha vivido no seu passado, de onde você saiu. O que importa é que Deus é poderoso para mudar qualquer realidade".

PARCERIA: www.clube700.com.br
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Data: 2/9/2008 15:08:37