Ao longo dos anos, o
Comitê Norueguês do Nobel já recebeu diversas críticas por conta de suas
escolhas para o prêmio Nobel da Paz, cujo objetivo é celebrar as ações daqueles
que tomaram atitudes para promover a paz no mundo. Neste ano, ao dividir o
prêmio entre as ativistas Leymah Gbowee e Tawakul Karman e a presidente da
Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf, o comitê saiu ileso diante dos críticos. Até
esta segunda-feira.
Nesta segunda, o jornal
britânico The Guardian publicou uma entrevista conjunta com o
ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair e com Sirleaf, reeleita para a
presidência da Libéria em novembro de 2011, e o resultado foi bombástico. Na
frente de Blair, que se notabilizou, entre outras coisas, por comandar um
governo que defendia os direitos dos homossexuais, Sirleaf defendeu as leis da
Libéria que consideram crime passível de prisão de um ano a “sodomia voluntária”
e se esquivou até mesmo de pronunciar a palavra “homossexualidade”.
“Eu já tomei uma posição
sobre isso… não vamos assinar tal lei.” “Eu não vou assinar nenhuma lei que
tenha a ver… com essa área. Absolutamente nenhuma. Nós gostamos de nós da
maneira que somos” (…) “Temos alguns valores tradicionais em nossa sociedade que
gostaríamos de preservar”.
Questionado sobre as
respostas de Sirleaf, Blair, que está na Libéria como fundador da organização
Africa Governance Initiative (AGI), disse que o foco de sua instituição era a
infra-estrutura e a geração de empregos na Libéria e que não ia comentar a
posição de Sirleaf sobre este assunto. A jornalista pressionou Blair para obter
uma resposta, mas foi interrompida por Sirleaf, que se mostrou
irritada.
Blair se recusou a dar
qualquer conselho sobre reformas para os direitos dos gays. Ele soltou uma
risada abafada depois que Sirleaf o interrompeu para deixar claro que Blair e
sua equipe só poderiam fazer aquilo que ela disse que eles poderiam. “A AGI
Libéria tem termos de referência específicos. Eles cumprem suas funções nesses
termos de referência. É só isso que pedimos deles”, disse ela, cruzando os
braços e encostando na cadeira.