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DIREITOS DO CONSUMIDOR

CAMELÔ ONLINE

Sites de compras coletivas passam a vender acessórios pirateados

Depois da onda de venda de serviços em gastronomia, turismo e estética, os sites de compra coletiva começam a dar vazão a produtos de consumo, entre eles eletrônicos e acessórios pirateados.

 

Em levantamento feito na primeira semana de dezembro pela Folha com 700 ofertas veiculadas pelos principais agregadores de sites do gênero do país - SaveMe e ApontaOfertas -, foram encontrados cerca de 180 anúncios com indícios de venda irregular.

 

Os campeões são tablets, notebooks, netbooks e celulares. Os principais problemas são equipamentos falsificados, sem marca e até aparelhos originais que não foram lançados no Brasil.

 

Acessórios pirateados como bolsas, óculos e perfumes de marcas internacionais também entram na lista.

 

Entre as ofertas encontradas estava o iPhone 4S, de 16GB, vendido pelo site Tripular com 32% de desconto, de R$ 2.500 por R$ 1.699. Até ontem, 264 unidades tinham sido comercializadas.

 

Outro caso é do tablet TouchPad, da HP, com 32 GB de capacidade, à venda no site Descontos Urbanos por R$ 869,90, que vendeu cupons a 66 compradores.

 

Em nenhum dos dois casos os produtos estão à venda oficialmente no Brasil. O tablet da HP nem tem certificação da Anatel, registro concedido após testes técnicos que garantem normas de segurança ao mercado brasileiro.

 

Entre os casos mais gritantes também estão as memórias portáteis da Kingston anunciadas como "os maiores pen drives do mundo" no site Offerta Coletiva, com 256 GB, por R$ 85,90.

 

Segundo a Kingston, o modelo original só é vendido pela loja on-line da marca no Brasil e custa R$ 2.790, o que indica que o produto comercializado no portal pode não ter a capacidade alegada.

 

"Os sites de compra coletiva são outro canal que os 'camelôs on-line' encontraram para desovar os produtos ilegais", diz Tiago Camargo, da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico.

 

COMPRADOR LESADO

 

Embora atraídos pelos preços convidativos, os consumidores devem ficar atentos à procedência dos aparelhos e à garantia de que eles serão mesmo entregues.

 

Segundo Polyanna Carlos Silva, supervisora institucional da Pro Teste, associação de defesa do consumidor, entre as ofertas com problemas em potencial estão as que propõem a importação do eletrônico direto da fonte, principalmente da China ou dos Estados Unidos.

 

"Há risco de esse material ser apreendido na alfândega e nem sequer chegar", diz.

 

GRANDES DÃO EXEMPLO

 

Segundo Renan Ferraciolli, diretor de fiscalização do Procon-SP, os grandes sites de compra coletiva não trabalham mais com importação direta após problemas.

 

Um deles foi o ClickOn, que sofreu com a falta de entrega de tablets por parte de um dos parceiros. Também instituiu um "pente-fino" para monitorar o estoque e as notas fiscais de procedência.

 

De acordo com Ferraciolli, uma alternativa para o consumidor é pesquisar a reputação e tentar entrar em contato com o site em quee encontrou a oferta antes de efetuar a compra.

 

As informações podem ser obtidas no site do Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor (Sindec).

Para evitar problemas com cartões de crédito, o professor de Finanças do Senac São Paulo, Anísio Castelo Branco, recomenda que a consumidora não confunda crédito com renda. “Às vezes, a pessoa já tem o dinheiro para comprar o que precisa pagando à vista. Mas, a tentação de comprar a crédito e usar aquele dinheiro para coisas que não são tão importantes é grande e a mulher acaba se endividando à toa”, diz.
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Castelo Branco também recomenda cuidado com as pequenas despesas do dia-a-dia e que aparentemente não comprometem o orçamento. Da ida não planejada ao salão de beleza para fazer só mais uma escova, aos acessórios “baratinhos” que são comprados aos montes, são muitos os exemplos de gastos aparentemente inofensivos que complicam as finanças no final do mês. “Aliás, uma boa ideia é estipular os gastos com beleza como custos fixos, já que as mulheres dificilmente abrem mão dos cuidados pessoais. Assim, fica mais fácil seguir um orçamento pré-estabelecido”, afirma.

Data: 4/1/2012
Fonte: Folha


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